Hoje, depois deste dia obscuro, olhei-me ao espelho. Fiquei parada
durante bastante tempo… somente a olhar-me. Vi toda a minha vida diante de meus
olhos. Vi a minha infância e vi a minha adolescência. Vi o que mudei e vi o que
mantive. Vi a minha felicidade e vi a minha tristeza. Vi as minhas qualidades e
vi os meus defeitos. Vi as minhas boas ações e vi os meus erros. Encontrei toda
minha alma dentro dos meus olhos. Até que olhei para meu corpo, para o meu
rosto. Estava com um sorriso de orelha a orelha. Estava com aquele sorriso
enorme que tanto usufruo durante o dia. Mas senti a necessidade de me mexer.
Senti que estava a olhar para uma mera imagem. Então, fi-lo, mexi-me.
Permiti-me expor a minha alma naquele espelho. Não mais em meus olhos, mas em
todo o meu corpo… Aí! Apercebi-me que todo o meu corpo, toda a minha figura,
estava com um ar cansado, triste, sério, mas principalmente, frio. Assustei-me!
Assustei-me como nunca! E aí perguntei-me “Onde anda aquela menina feliz, que
ama a vida, que tudo supera? Onde anda aquela menina que enfrentava a vida de
queixo erguido, que tinha medo mas que enfrentava tudo?”. Não sei. Não sei o
que é feito dela, para onde ela foi, ou se irá voltar. São perguntas que
gostava de responder, pois queria que ela voltasse.
Hoje, descobri que sou
uma menina ingénua, sincera, e que neste mundo são os piores defeitos. É. Tenho
muito que enfrentar e essencialmente que sofrer. Mas eu vou voltar a erguer o
queixo, porque eu sou mais eu. E mesmo fria, mesmo cansada, mesmo triste, eu
sei que tudo vai ficar bem, que dias melhores vêm por aí. Eu sei que tudo
acontece por uma razão, que tudo é uma questão de auto superar-nos. Eu sei que
hoje posso chorar, mas também sei que o amanhecer de amanhã vai brilhar no meu
sorriso.

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